A felicidade

Muitos se dizem felizes por angariarem muito dinheiro, luxo ou poder; tantos por conseguirem um bom emprego; alguns por terem um corpo perfeito; outros, ainda, por estarem ao lado de quem amam ou se identificam, ou talvez pela paz. Se 'olharmos' atentamente para estas aspirações, podemos perceber que estamos condicionando nossa felicidade a algo que muitas vezes não temos, ou pelo menos não o tempo todo. Vicente de Carvalho escreveu sobre esta questão, por meio de poema:

Só a leve esperança, em toda a vida,
Disfarça a pena de viver, mais nada:
Nem é mais a existência, resumida,
Que uma grande esperança malograda.

O eterno sonho da alma desterrada,

Sonho que a traz ansiosa e embevecida,
É uma hora feliz, sempre adiada
E que não chega nunca em toda a vida.

Essa felicidade que supomos,

Árvore milagrosa, que sonhamos
Toda arreada de dourados pomos,

Existe, sim: mas nós não a alcançamos

Porque está sempre apenas onde a pomos
E nunca a pomos onde nós estamos.
Estas aspirações nos fazem buscar incansavelmente por algo que preferimos manter no campo da idealização. Marquês de Maricá acreditava que "em vão procuramos a verdadeira felicidade fora de nós, se não possuímos a sua fonte dentro de nós". Mahatma Gandhi foi muito sábio ao dizer que "não existe um caminho para a felicidade", pois "a felicidade é o caminho" e "são os passos que fazem o caminho", segundo Mário Quintana.

Estas declamações nos permitem concluir que nossos passos devem nos saciar mente e espírito, de modo que não podemos ficar estaques. Talvez precisemos antes entender que "os únicos demônios do mundo são aqueles que habitam nosso coração e é nele que as batalhas devem ser travadas", segundo Mahatma Gandhi.

Para finalizar, vou expor o pensamento de Gandhi e Schopenhauer:

Há riqueza bastante no mundo para as necessidades do homem, mas não para a sua ambição (Gandhi). 

Os homens estão empenhados mil vezes mais em adquirir riqueza do que formação espiritual; no entanto, seguramente, o que se é contribui muito mais para a nossa felicidade do que o que se tem (Schopenhauer).

Vamos pensar a respeito.

De olho por olho e dente por dente e o mundo acabará cego e sem dentes. (Gandhi)

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